quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Classicismo

O classicismo é um movimento cultural que valoriza e resgata elementos artísticos da cultura clássica (greco-romana). Nas artes plásticas, teatro e literatura, o classicismo ocorreu no período do Renascimento Cultural (séculos XIV ao XVI). Já na música, ele apareceu na metade do século XVIII (Neoclassicismo).


Características:

- Valorização dos aspectos culturais e filosóficos da cultura das antigas Grécia e Roma;


- Influência do pensamento humanista;


- Antropocentrismo: o homem como o centro do Universo;


- Críticas as explicações e a visão de mundo pautada pela religião;


- Racionalismo: valorização das explicações baseadas na ciência;


- Busca do equilíbrio, rigor e pureza formal;


- Universalismo: abordagem de temas universais como, por exemplo, os sentimentos humanos.


Principais representantes do Classicismo dos séculos XIV ao XVI:

- Na literatura destacou-se o escritor português
Camões, autor da grandiosa obra Os Lusíadas. Podemos também destacar os escritores: Dante Alighieri, Petrarca e Boccacio.


- Nas artes plásticas, podemos destacar: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael Sanzio, Andrea Mantegna, Claudio de Lorena entre outros.
                                                      
Leonardo Da Vinci

Humanismo

O Humanismo pode ser definido como um conjunto de ideais e princípios que valorizam as ações humanas e valores morais (respeito, justiça, honra, amor, liberdade, solidariedade, etc). Para os humanistas, os seres humanos são os responsáveis pela criação e desenvolvimento destes valores. Desta forma, o pensamento humanista entra em contradição com o pensamento religioso que afirma que Deus é o criador destes valores.

O humanismo desenvolveu-se e manifestou-se em vários momentos da história e em vários campos do conhecimento e das artes.

Humanismo na antiguidade clássica (Grécia e Roma): manifestou-se principalmente na filosofia e nas artes plásticas. As obras de arte, por exemplo, valorizavam muito o corpo humano e os sentimentos.

Humanismo no Renascimento: nos séculos XV e XVI, os escritores e artistas plásticos renascentistas resgataram os valores humanistas da cultura greco-romana. O antropocentrismo (homem é o centro de tudo) norteou o desenvolvimento intelectual e artístico desta fase.

Positivismo: desenvolveu-se na segunda metade do século XIX. Valorizava o pensamento científico, destacando-o como única forma de progresso. Teve em Auguste Comte seu principal idealizador.

Renascimento

Renascimento, Renascença ou Renascentismo são os termos usados para identificar o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII, Seja como for, o período foi marcado por transformações em muitas áreas da vida humana, que assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever os seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências.

Chamou-se "Renascimento" em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antiguidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direcção a um ideal humanista e naturalista. O termo foi registrado pela primeira vez por Giorgio Vasari já no século XVI, mas a noção de Renascimento como hoje o entendemos surgiu a partir da publicação do livro de Jacob Burckhardt A cultura do Renascimento na Itália (1867), onde ele definia o período como uma época de "descoberta do mundo e do homem".

O Renascimento cultural manifestou-se primeiro na região italiana da Toscana, tendo como principais centros as cidades de Florença e Siena, de onde se difundiu para o resto da península Itálica e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental, impulsionado pelo desenvolvimento da imprensa por Johannes Gutenberg. A Itália permaneceu sempre como o local onde o movimento apresentou maior expressão, porém manifestações renascentistas de grande importância também ocorreram na Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e, menos intensamente, em Portugal e Espanha, e em suas colónias americanas. Alguns críticos, porém, consideram, por várias razões, que o termo "Renascimento" deve ficar circunscrito à cultura italiana desse período, e que a difusão europeia dos ideais clássicos italianos pertence com mais propriedade à esfera do Maneirismo. Além disso, estudos realizados nas últimas décadas têm revisado uma quantidade de opiniões historicamente consagradas a respeito deste período, considerando-as insubstanciais ou estereotipadas, e vendo o Renascimento como uma fase muito mais complexa, contraditória e imprevisível do que se supôs ao longo de gerações.



Luís Vaz de Camões

Luís Vaz de Camões é um homem do Renascimento que brilhou como épico e como lírico, tendo, no entanto experimentado também o género dramático.


Espirito irrequieto meteu-se em brigas que o levaram à prisão e depois ao exilio. Era de ascendência fidalga não se sabendo bem se nasceu em Lisboa ou em Coimbra, possivelmente em 1524. O dia da sua morte é celebrado com feriado nacional, em 10 de junho (1580).


Há também muitas dúvidas em relação a sua mãe referida em documentos da época como Ana de Sá e Ana de Macedo.


Camões era essencialmente um lírico profundamente amoroso, havendo a necessidade de investigar nomes reais ou supostos das suas inspiradoras, como é o caso mais flagrante o nome Natércia que seria uma anagrama de Catarina. Mas quem era essa Catrina? Há dúvidas que fosse D. Catrina de Ataíde.


Também sobre o número de desterros há duvidas que nos exigem um estudo mais aprofundado, visto serem referidos nos seus poemas.


Regressado a Portugal em 1570, depois de passar muita fome, conseguiu ver impressa a sua obra imortal, a epopeia de Portugal, mas morreu miseravelmente em Lisboa sendo enterrado numa vala comum, sem honras nem sinais de sepultura. Em 1595 foram os seus supostos restos mortais postos por admirador numa sepultura com lápide que o terramoto de 1755 dispersou.

Luís Vaz  de Camões

Álvaro de Campos

Sendo o heterónimo pessoano que o poeta mais publicou, Álvaro de Campos é também aquele que percorre uma nítida curva evolutiva, passando por três fases:

Fase Decadentista – é a fase do “Opiário”

·         Traduz-se por sentimentos de tédio, náusea, cansaço, abatimento e necessidade de novas sensações;

·         Evidência falta de sentido para a vida e desejo de fuga à monotonia. Procura refúgio no ópio. Estilo lento e arrastado.

Fase Futurista/ Sensacionista – é a fase da “Ode Triunfal”

·         Exaltação da civilização moderna e do progresso;

·         Faceta provocatória e subversiva/ruptura com o passado;

·         Celebração do triunfo da máquina, da energia mecânica;

·         Apresentação de maquinismo em fúria e da força da máquina em oposição à beleza tradicional;

·         Evidência o ideal futurista de Campos;

·         Regista-se na intelectualização de sensações;

·         Procura o excesso de sensações até à violência;

·         Quer sentir a violência e a força de todas as sensações;

·         Influenciado por Whitman e por Marinetti.

Fase Intimista

·         Instala-se o tédio, a náusea e a angústia existencial;

·         Instala-se o desencontro com os outros e o abatimento;

·         Céptico, o poeta sente-se rodeado pelo sono e pelo cansaço, revelando desilusão e revolta;

·         Estamos perante um Campos decaído, melancólico e devaneador que se sente vazio  e incompreendido;

·         Revela vício de pensar, recusa tudo e manifesta perda de identidade;

·         Apela ao direito de solidão;

·         Aponta a infância como simbolo da felicidade perdida;

·         Assemelha-se ao Fernando Pessoa Ortónimo.


Estilo:
- Verso livre, estilo esfuziante, vertiginoso e torrencial;
- Exclamações, interjeições, apóstrofes, enumerações, onomatopeias... 
. Estas características encontram-se sobretudo na 2ª fase ( Fase Futurista/ Sensacionista).






domingo, 20 de novembro de 2011

Ricardo Reis - Características

Ricardo Reis manifesta-se como um ser que procura o equilíbrio, que só a força moderadora da razão lhe pode proporcionar.

Com efeito, Reis é um epicurista triste e ressentido que se sente atormentado com a fugacidade do tempo, a efemeridade da vida, a inevitabilidade da morte, a dureza do Fado e o desprezo dos Deuses, considerando que estes aspetos jamais deixam o ser humano ser feliz, pois aprisionam-lhe a liberdade. Partindo desta ideia, Reis recusa viver a sua vida, enclausurado no passado ou concentrado num futuro incerto que poderá não chegar, mas sim procurando a realização no presente e no instante vivido dia a dia, segundo as ideias do Carpe Diem. Assim, procura alcançar a serenidade espiritual e a ataraxia (ausência de dor e sofrimento), construindo uma filosofia de vida estoico-epicurista, na busca do equilíbrio entre o pensar (estoicismo) e o sentir (epicurismo), para assim alcançar uma felicidade relativa que não lhe comprometa a liberdade interior e o moderado gozo dos prazeres.

É, assim, uma arte de viver, pois ao conciliar as duas filosofias de vida, vive essa vida aceitando passiva e voluntariamente as leis do destino, inacessíveis à consciência do ortónimo.

Linhas de sentido:

·       Discípulo de Caeiro, como o mestre aconselha a aceitação calma da ordem das coisas e faz elogio da vida campestre, indiferente ao social;

·       Faz dos Gregos o modelo da sabedoria (aceitação do fatalismo do Destino de forma resignada, mas digna e altiva) e do poeta latino Horácio o modelo poético;

·        Reflete sobre fluir do tempo; tem consciência da dor provocada pela natureza precária do homem;

·         Faz elogio do epicurismo: a sabedoria consiste em gozar o presente (Carpe Diem);

·        Faz elogio do estoicismo: a sabedoria consiste na aceitação da condição humana, através da disciplina e da razão;

·        Paganismo assumido.

Estilo

·         Estilo neoclássico;

·         Presença frequente de elementos mitológicos;

·         Uso preferencial do decassílabo combinado com o hexassílabo; verso branco;

·         Linguagem curta, rebuscada, sentenciosa;

·         Frequente utilização do hipérbato e de latinismos;

·         Recurso ao conjuntivo com valor exortativo.